quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Pablo Neruda


OS TEUS PÉS
Os teus pés
Quando não te posso contemplar

Contemplo os teus pés.
Teus pés de osso arqueado,

Teus pequenos pés duros,
Eu sei que te sustentam

E que teu doce peso

Sobre eles se ergue.
Tua cintura e teus seios,

A duplicada purpura

Dos teus mamilos,

A caixa dos teus olhos

Que há pouco levantaram voo,

A larga boca de fruta,

Tua rubra cabeleira,

Pequena torre minha.
Mas se amo os teus pés

É só porque andaram

Sobre a terra e sobre

O vento e sobre a água,

Até me encontrarem. (Pablo Neruda)

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