terça-feira, 10 de junho de 2008

“As Fadas Sensuais"

A Fada Azul tem olhar enigmático
Traz mistérios escondidos
Pode ser sua felicidade...
ou roubar sua paz
A Fada Azul é um enigma eterno
Te enfeitiça e te encanta


Fada Amarela
Tem um toque sedutor
Num simples bater de asas
Traz a brisa do amor

Fada Ruiva
Tem um charme especial
Com suas sardinha no rosto
enfeitiça à todos
sem perdão
Jeito de boneca
Toda sapeca... rsrs
(Graciela da Cunha, Bernadette Moscareli e Paty Padilha)
_09/06/08_

Florbela Espanca


Conto de fadas
Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.
Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras duma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...
Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é de oiro, a onda que palpita.
Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
-Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A princesa do conto: Era uma vez...
(Florbela Espanca)

Duplo Auto-Retrato


Duplo Auto-Retrato
Este retrato tem o cheiro de flores do mato,
dos pássaros em revoada, da noite caindo e o sol sorrindo,
tem cheiro de Maria Fumaça apitando, lá na estação,
do café e pão de queijo, fumegando no fogão!
Tem o cheiro do amor, da alegria efusiva, da dor,
da simplicidade e das belezas da serra, encantos de minha terra,
tem a alegria do choro de criança, da voz do passado teimando
explodir no ar, tem cheiro de felicidade e vida!
Neste retrato tem, amor com verão do Nordeste
E o sentimento de dor que habita no agreste
Tem cheiro da terra seca, mas tem vida pra sonhar
Tem abandono de pai, mas tem garra para lutar
Tenho anjos ao meu redor, tenho um príncipe amado
Com olhos do azul do céu e o coração apaixonado
E o sorriso de criança, trouxe alegria e renovação
Tenho sonho, tenho vida, tenho Deus no coração
(Jane Rossi e Marta Peres)

Jenário de Fátima


Estrelas...Estrelas...
Estrelas tantas a luzir distantes.
Pontinhos claros e tão pequeninos.
Mas se refletem em olhos meninos,
Tornam-se fogo por alguns instantes.
Estrelas tantas por onde os amantes
Tentam achar a lira dos destinos,
E trazem luz a fé dos peregrinos
E dão o Norte a nau dos navegantes...
Estrelas tantas, tão longínquas velas,
Azuis e brancas, rublas e amarelas
Olhem que estranho o que se dá comigo;
Como é que pode tão distante eu tê-las?!
Se quem tanto amo, junto a mim estrelas,
Por mais que eu queira ter, eu não consigo!...
(Jenario de Fátima)

Manuel Bandeira


Canção do Vento
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
vento varria as flores....
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas
O Vento varria as luzes
o vento varria as músicas,
O vento varria os aromas....
E a minha vida ficava
cada vez mais cheia
de aromas, de estrelas, de cânticos.
O vento varria os sonhos
e varria as amizades...
o vento varria as mulheres.
E a minha vida ficava
cada vez mais cheia
de afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
e varria os teus sorrisos...
o vento varria tudo!
E a minha vida ficava
cada vez mais cheia
de tudo.
(Manuel Bandeira)
(de Estrela da Manhã, em Antologia Poética,
org. Emmanuel de Moraes, José Olympio Editora, Rio, 1986)

CARLO MAGNO


Cancioneiro de Emoções

Como um velho gato
Em surdina na escuridão
Trouxe a luz em meu coração
Veio rosnando, todo agitado
Com olhos a brilhar
Alegria veio brindar
Em taças de champanhe
Com borbulhas, veio chamegar
Naquela música encantada
Na calada da madrugada
Seus mios de felicidade
Alegrou minha vaidade
Em momentos silenciosos
O coração a disparar
Gritos, no silêncio, ociosos
Venha logo me arranhar
Seus movimentos na imaginação
Calafrios é minha sensação
Despedir dessa agonia, sofro
Deixo livre seu coração
O consolo é ter outro dia
Novo mio que me traz
A noite nova sensação, se refaz
Quero seu mimo de alegria
(Carlo Magno)

Voltaire


"As paixões são como ventanias que enfunam as velas dos navios,
fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar,
mas se não fossem elas, não haveriam viagens,
nem aventuras, nem novas descobertas."
(Voltaire)

_ Diana-Dru_



A Quando o sol visita minha estreita janela, deixa réstias de luz espalhadas sobre a minha cadeira preferida onde descanso a falta de sono, de sonho. A esperança sempre me pareceu vestir cetim enquanto eu, envolta em panos simples, vivo estampando cores e formas. Um dia por vez.
Cuido dos poucos, mas fartos planos. E asseguro-lhes que as horas têm mãos que aquecem borboletas até alçarem vôos enigmaticamente perfeitos. Quantas vezes o que parece não ter rumo nem prumo, voa...?
_Diana-Dru _

Razão de Ser


RAZÃO DE SER
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
(LEMINSKI- 1944-1989)

Muitas Coisas


Muitas coisas
Não é uma coisa só,
São muitas coisas nuas.
Não é o desabar de uma casa.
É percorrer os seus escombros.
Não é aguardar por um filho.
É voltar a sê-lo.
Não é penetrar em ti.
É sair de mim.
Não é pedir-te que faças.
É fazer-te.
Não é dormir lado a lado.
É estar jacente de mãos dadas.
Não é ouvir vento e chuva.
É franquear-lhes a cama.
E relâmpago que pela terra se funde.
(António Osório)

Ivana Pascoal



Colheste um verso ao invés de flores dos meus olhos, minha pele silvestre já não se cobre mais, o cheiro de alecrim invadiu entorpecente tudo que tocaste dentro de mim. Eis a fúria que habita minhas retinas tontas de sal: esse teu ser incandescente que docemente cega minha busca anteriorde outra atmosfera... O invólucro suave de tuas mãos que dançam sobre meus espinhos armanezando todo éter que antes era solto no invisível e que hoje tem os contornos da tua boca silente fechada em sorrisos inefáveis.
_Ivana Pascoal_

Beijo Eterno


BEIJO ETERNO
Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue. Acalma-o com teu beijo,
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!
Fora, repouse em paz
Dormindo em calmo sono a calma natureza,
Ou se debata, das tormentas presa,
Beija inda mais!
E, enquanto o brando calor
Sinto em meu peito de teu seio,
Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio,
Com o mesmo ardente amor!...
Diz tua boca: "Vem!"
Inda mais! diz a minha, a soluçar... Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
Morto por teu amor!
Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!
(Castro Alves)

O PRIMEIRO BEIJO


O PRIMEIRO BEIJO..
O primeiro beijo inaugura a casa
inaugura o corpo, talha a
primeira pedra do caminho.
Pode e deve ser doce
abelha inventando o mel
pode e deve ser louco
doce vôo louco no corpo
do outro.
(Roseana Murray)

MEU BEIJO!


MEU BEIJO!
Meu beijo para te beijar...
Quero que seja um beijo...
Que te faças querer mais...
Que te excite...
Que te faça me desejar...
Que te agite e te mostre...
Meu jeito de ti amar...
Meu beijo...
Para ti beijar tem de ser...
Com aroma de hortelã...
Com sede de quero mais...
Um beijo com emoção...
Que te faças delirar...
Meu beijo...
Para te beijar...
Tem de ser bem gostoso...
Cheio de malicias...
Que te faça me amar...
Que te surpreenda de tanto amor...
Meu beijo...
Para te beijar...
Não poderá ser um beijo qualquer...
Tem de ser com muito ardor...
Que te faças querer mais...
Guloso e profundo...
Altamente sensual...
Meu beijo...
Tem de ser com muito amor e invenções...
Que te provoque...
E te faças querer mais...
(Vania Staggemeier)

Charles Baudelaire


"- Meu belo cão, meu cãozinho, meu querido totó, vem cá, vem respirar um excelente perfume comprado no melhor perfumista da cidade.
E o cão, agitando a cauda, o que é, suponho, entre esses pobres seres, o sinal correspondente ao riso e ao sorriso, aproxima-se e, curioso, mete o nariz úmido no frasco destampado; porém subitamente, recuando de susto, late contra mim, à feição de reprimenda.
- Ah, miserável cão! Se eu te houvesse oferecido um embrulho de excremento, decerto o cheirarias com delícia e talvez o tivesses devorado. Assim, ó indigno companheiro de minha triste vida, tu te assemelhas ao público, a quem nunca se devem apresentar perfumes delicados, que o exasperam, mas imundíces cuidadosamente escolhidas."
(Charles Baudelaire – Tradução Aurélio Buarque de Holanda Ferreira)

Interlúdio...



Interlúdio...
“Um Poeta é um rouxinol que se senta na escuridão e canta para se confortar da própria solidão com belos sons; seus ouvintes são como homens arrebatados pela melodia de um músico invisível, que se sentem comovidos e em paz, ainda que não saibam como nem porque.”
_Percy Bysshe Shelley_

Quando a alma chora


Quando a alma chora
No meio de uma noite sombria
Entre a negritude e a solidão
Cenário propício de um sonhador
Mora a esperança
Entre raios e luzes
Surge um som imperceptível
Envolto na fantasia do amor
Quase não é percebido
Mas lá está ele presente
Um som sem musicalidade
Paralisante e frio
Fazendo um eco surdo
No vazio de um ser
De repente
Como ondas do oceano
Rompe a barreira do silêncio
Surge como efeito cristalino
Nesse exato momento
Sem palavras ou gestos
Você percebe a essência da dor
Quando a alma chora...
Então você busca forças
Em algum lugar do passado
Presente em sua vida
Pra curar essa ferida
Percebe que o choro é sinal
De que você sobreviveu
Precisa recomeçar
Sem ter medo de amar
Nessa hora você
Vê que a noite sombria
Está indo embora
Pra surgir um novo amanhecer
(Eliane Gonçalves)

NENECA BARBOSA


Encontro com a Solidão
Ao longo da caminhada
Com medo da solidão
Sentia a alma apertada
E muita inquietação.

Fui seguindo adiante
Enfrentando os obstáculos
Procurando ser confiante
Tendo o amor por sustentáculo.

Mergulhando em meu ser
Procurei descobrir
Que para bem viver
É preciso refletir.

E nessa introspecção
Um lugar calmo encontrei
Vivendo minha solidão
De forma livre voei.

Voei por sobre o monte
Ouvindo a voz do vento
A Natureza é a fonte
Do mais suave acalento.
(Neneca Barbosa)
12/04/08

Destino


Destino
Vento sinuoso
soldado e guardião do tempo
a buscar e a levar sonhos
a inebriar meu pensamento
Vento galopante
destino incerto, vôo rasante
a buscar e a levar sentimentos
de amores, de sabores, de tormentos
Vento violento e tenebroso
intenso, vigoroso
que traz lembranças de um amor
que fomenta dissabor
Vento suave, brisa leve
vento forte...
vida breve...
(Jose Fernando)

CARLO MAGNO


Translúcido
Neste ambiente de remanso
Refugio da criação e emoção
Projetei estas linhas, sem pranto
Numa complexidade de solidão
Não me prendas em forma inefável
Se no instante o verbo é eterno
Nasce na graça de uma semente, venal
Remete a uma significação recital
Este meu verbo se conjuga no teu
Um está no outro, como a luz na luz
Não basta ter ação, nem forma de Orfeu
Está num coração, amante, que reluz
Tu e eu somos sempre sujeito do verbo
Não reclamarei de ti, nem de teu amor
Ninguém possui ninguém, mas percebo
Dentro do verbo amar, sofro deste sabor
Sei que tu és impossível e sofro
Não te prenderei em minhas mãos
Nem trancarei em escrituras
Travarei com minhas bravuras e assumo
(Carlo Magno)

FLOR


Vem...
Senta-te aqui
deixa-te ficar
bem assim a meu lado
vem me namorar
não ligues ao mundo
que chama por ti
reserva esse tempo
só para mim
e sente o meu orgulho
em te ter assim...
(Flor)

Edgar Radins


Nasce um sorriso em meus olhos
toda vez que lembro
de você chegando até mim.
Seu olhar flutuando
e pousando num beijo
que loucamente te dei.
Em cada beijo
corpos entrelaçados
e uma descarga de sentimentos
nos percorrendo sem fim.
Sonhos se misturando a realidade
desejos saindo do baú,
química pura num doce olhar
e certeza do ombro encontrado.
Cada toque partilhado
soltou um pouco das amarras
cada beijo trocado
um aproximar de almas.
Tantas vezes me perdi
agora sei que foram degraus
para poder chegar bem alto
e me encontrar em você.
Tuas lágrimas inundaram minha fonte,
teus sorrisos dissiparam minhas dúvidas.
Em você me completei, me solidifiquei,
agora não temo mais temporais.
Amor...te encontrei no momento certo.
Minha alma te seguiu cega até o encontro
e ao abrir os olhos te reconheceu.
Hoje somos feitos um em duas partes.
(Edgar Radins)

PAULINO VERGETTI NETO


Barquinho de esperança
Barco que leva as ondas do meu ser,
vem me ver
à beira desta praia
onde algum mar descansa.
É-me a vida a chuva que te molha,
o sol que em ti vagueia
beijando cada dia que se acende.
Dá-me a poesia,
sê meus versos
e te digo, barco,
há em ti o meu regresso
e por isso chega...
Posso até ser as ondas onde deslizas
e se, ao me ver, acreditas,
saibas
nada mais me habita deste mesmo mar
senão o outro mar desses meus versos...
(Paulino Vergetti Neto)
Publicado no Recanto das Letras
em 03/04/2008Código do texto: T928826

Patricia Antoniete



"Perdão, eu te peço à distância, pela indigência das palavras, essas, que eu não falo e levo em mim e pouso sobre as tuas pálpebras cada vez que recostas a cabeça e fechas os olhos sem que saibas que eu te olho. Dizem coisas, essas palavras mudas, dizem teu nome entre meus lábios, adivinham tua respiração próxima ao meu rosto e o cheiro dos teus cabelos quando amanhece o dia. Falam das minhas mãos e dos teus rumos, essas palavras não-ditas, que perdem-se uns nos outros e do gosto que suspeito ter a tua língua pelo meu pescoço. Perdão, eu te peço à distância, e torço para que me surpreendas no verde amarelado da íris, instantes antes de eu deitar novamente incógnito meus segredos sobre teus olhos."
- Patricia Antoniete -

Arethuza Viana


PRECISO
Preciso aprender
a ser forte e não lamentar
pelo meu coração
tão frágil e dolorido
a olhar para trás, sem chorar
por todo o meu caminho
até hoje percorrido.
Preciso compreender
que o meu coração,
me foi dado por Deus,
para apenas amar,
com o dom de esquecer
a dor e decepção,
o mal que me fazes
e finalmente, perdoar.
Preciso entender,
mesmo entristecida
que só pude saciar
tua paixão e loucura,
apesar de querer
sempre ser em tua vida
o amor e encher
teu mundo de ternura.
Mas fui alguém
que passou repentinamente,
instrumento de prazer
e nada mais,
para este teu corpo
que amo e infelizmente
vive constantemente
repleto de tantas digitais!!!
(Arethuza Viana)

Claudia Almeida


Condor
Que o amor plane
Dos Alpes aos Andes
Águias e santuários em pane
De lado na árvore seus cantos
Histórias de Davos
Ângulos na mente
No bruxo de Machu Picchu
Superar o futuro das fotos
Esperta manobra selvagem
Armadilhas de roteiros
No destino da aurora
Completar os olhosLuz, sombra, cor
É possível a viagem no ar?
Por mais que queiram
Pequenos pássaros
Cativeiros
Crescem e viram
Condor.
(Claudia Almeida)

MARTA PERES


Amo e não amo
Eu amo, perdidamente amo,
amo e não amo,
sozinha eu amo,
amo e esqueço que amo.
Amo as águas do mar, os rios
e as florestas, amo as matas
e amo as palmeiras que solenemente
enfeitam a rua onde vivo.
Amo a brisa da noite, o sol da manhã,
amo o canto dos pássaros as azaléias
em flor, amo, amo, de olhos abertos
sonhando, eu amo enfim...
(Marta Peres)

O Palácio da Ventura


O Palácio da Ventura
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que de súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!
(Antero de Quental)

Edgar Radins


Corpo
que se defaz
aos poucos
morro
um pouco
em cada
entardecer.
Gosto
amargo na boca
insensato
te sorvo
em longos goles.
Escapa
aos poucos
de minhas mãos.
Lucidez
outrora presentes
e esconde
longe
num vai e vem
de lembranças
que já não encontro mais.
Procura
incessante
de algo que não percebo
misturo e reciclo
fragmentos
que nem sei
mais se são meus.
Coração
pulsante que sangra
marcado em seus cantos
pelos desejos
perdidos
da lembrança
quando era seu.
Pergunto
respondo
esqueço
recomeço
e aí
vem tudo outra vez.
Nasci
meu vulto
aos poucos
se mostra
me calo
e espero
um novo amanhecer.
(Edgar Radins)

PAULINO VERGETTI NETO


Há tanto mal...
O que há de ti em mim, o que há?
Há o nosso desamore ciúmes desembestados
que mesmo quando estamos lado-a-lado
amamos um ao outro tão distantes.
Há um sol que escuro vive
e luas desacesas a matar a noite
e não há beijos
e não há açoites
quando o meu amor encontra o teu.
Há lutas perversas
e desejos apagados
e há fronhas molhadas,
lençóis assanhados
e entre nós, querida...
uma noite perdida
e sonhos tão desenfeitiçados.
(Paulino Vergetti Neto)
Publicado no Recanto das Letras
em 08/04/2008Código do texto: T936317

Como uma flor vermelha


Como uma flor vermelha
À sua passagem a noite é vermelha,
E a vida que temos parece
Exausta, inútil, alheia.
Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.
Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Amor


Amor
O ser busca o outro ser, e ao conhecê-lo
acha a razão de ser, já dividido.
São dois em um: amor, sublime selo
que à vida imprime cor, graça e sentido.
"Amor" - eu disse - e floriu uma rosa
embalsamando a tarde melodiosa
no canto mais oculto do jardim,
mas seu perfume não chegou a mim.
(Carlos Drummond de Andrade)

PAULINO VERGETTI NETO


Viagem com a solidão
Que grata solidão fez-me pensar
e ver que em algum lugar
há tanto o que eu desconhecia.
Minha dor possui pernas apressadas
e é por isso que minha alma conhece estradas
à procura doutras almas solitárias
que de si nunca saíam às caçadas,
distraídas e desamadas também.
Vou-me solitário ao fim do mundo,
descobrir caminhos,
achar mundos...
e entender que a solidão de tudo
é algum caminho que vaga
a nos mostrar novas estradas,
amores novos e novos ninhos.
(Paulino Vergetti Neto)
Publicado no Recanto das Letras
em 09/04/2008Código do texto: T937864


A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
(Sophia de Mello Breyner)


Acreditei que se amasse de novo
esqueceria outros
pelo menos trës outros rostos que amei
Num delírio de arquivística
organizei a memória em alfabetos
como quem conta carneiro e amansa
no entanto flanco aberto não esqueço
e amo em ti os outros rostos
(Ana C. Cesar)

Saudades


Saudades
como a terra anseia a água
e o vento clama por liberdade
procurei-te pela chuva
e te perdi pela cidade.
vaguei longe, meio mundo
com o coração intenso
em generosa permissão.
e o olhar sempre perdido e fundo.
mas, foi ao buscar-te no intimo
que só aí te alcancei
com tais saudades
onde se encaixa, não sei
esta paixão feita de versos
que nasceu sem veleidades.
de mim não se espante
pois para ti, qual passarinho
trancei gravetos no ninho
sustendo um poema adverso
seguindo valente, adiante.
depus as armas de afronta
arremeter não convém
se só te vejo tão longes
e insistes em estar alem
e para te alcançar
só mesmo fosse por conta
de lírica e alongada espera.
ah! como é doce esperar-te.
por ti, toda a demora
não é nada mais
que um instante.
(Ricardo SantAnnAReiS)

Luiz Vaz de Camões


"Eu cantarei de Amor tão docemente"
Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em em si tão concertados,
Faça sentir acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.
Farei que amor a todos viventes,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosas ousadia e pena ausente.
Também, Senhora do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.
Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa,
Aqui falta saber, engenho e arte.
(LUIZ VAZ DE CAMÕES)

Manuel Oliveira


Dizes, meu amor, que ficaste presa
pelas minhas redes, de palavras.
Sim!
Sim, estás presa, meu amor,
quer queiras, quer não,
nas minhas redes de palavras,
que esboço e executo,
por vezes duras, por vezes sinceras,
mas sempre puras e livres, como as aves,
que saciam tuas sedes!...
(Manuel Oliveira)

Luiz Fernando Verissimo


Pode ser dificil fazer algumas escolhas,
mas muitas vezes, isso é necessário,
existe uma diferença muito grande entre
conhecer o caminho e percorrê-lo.
(Luiz Fernando Verissimo)

VALQUÍRIA CORDEIRO


Aconchego.
Um lugarzinho distante...
Ao meio de montanhas,
Com cheiro de erva-doce,
Que ao chá da tarde assanha.
Uma casa simples e acolhedora,
Com assoalhos lustrosos,
E réstia de cebolas,
Penduradas no canto da cozinha.
Um cheirinho de café da hora,
Barnabé com sua viola.
Colcha de retalho na cama,
No céu uma lua imensa,
Iluminando quem ama...
Um amanhecer,
Com cantos de pássaros...
Canteiro de cheiro verde na horta,
Fechaduras e tramelas nas portas...
No fogão um cheiro, de pão quente...
Aconchego simplicidade que prende agente.
Preciso tanto desse lugar!
(Valquíria Cordeiro )

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Gilia GerlinG


Gilia GerlinG


PRECE POR ENTENDIMENTO




PRECE POR ENTENDIMENTO

Senhor Jesus!

Auxilia-nos a compreender mais, a fim de que possamos servir melhor, já que somente assim as bênçãos que nos concedes podem fluir, através de nós, em nosso apoio e em favor de todos aqueles que nos compartilham a existência.
Induze-nos à prática do entendimento que nos fará observar os valores que, porventura, conquistemos, não na condição de propriedade nossa e sim por manancial de recursos que nos compete mobilizar no amparo de quantos ainda não obtiveram as vantagens que nos felicitam a vida.
E ajuda-nos, oh! Divino Mestre, a converter as oportunidades de tempo e trabalho com que nos honraste em serviço aos semelhantes, especialmente na doação de nós mesmos, naquilo que sejamos ou naquilo que possamos dispor, de maneira a sermos hoje melhores do que ontem, permanecendo em Ti, tanto quanto permaneces em nós, agora e sempre.
Assim seja.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Paciência” - Edição C.E.U.

Paz e Luz
Graciela

Tadany


Poema CCCXI

Todo ser humano já experimentou momentos de grande serenidade
Alguns de uma maneira breve e sutil, outros longos e intensos
Tais ocasiões demonstram que é possível viver esta sublime realidade
Onde entre o homem, suas dúvidas, medos e sonhos, existe um prazeroso consenso.
(Tadany – 03 05 08)

Inscrição na Areia


Inscrição na Areia
O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!
Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?
O meu amor não tem
importância nenhuma.
(Cecília Meireles)

Oswaldo Antônio Begiato



ORAÇÃO A MIM MESMO


Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais. Falar menos. Chorar menos.


Ver nos olhos de quem me vê
a admiração que eles me têm
e não a inveja que prepotentemente penso que seja.
Escutar com meus ouvidos atentos
e minha boca estática,
as palavras que se fazem gestos
e os gestos que se fazem palavras
Permitir sempre
escutar aquilo que eu não tenho
me permitido escutar.

Saber realizar
os sonhos que nascem em mim
e por mim
e comigo morrem por eu não os saber sonhos.
Então, que eu possa viver
os sonhos possíveise os impossíveis;
aqueles que morrem
e ressuscitam
a cada novo fruto,
a cada nova flor,
a cada novo calor,
a cada nova geada,
a cada novo dia.

Que eu possa sonhar o ar,
sonhar o mar,
sonhar o amar,
sonhar o amalgamar.
Que eu me permita o silêncio das formas,
dos movimentos,
do impossível,
da imensidão de toda profundeza.

Que eu possa substituir minhas palavras
pelo toque,
pelo sentir,
pelo compreender,
pelo segredo das coisas mais raras,
pela oração mental
(aquela que a alma cria e
que só ela, alma, ouve
e só ela, alma, responde).

Que eu saiba dimensionar o calor,
experimentar a forma,
vislumbrar as curvas,
desenhar as retas,
e aprender o sabor da exuberância
que se mostra
nas pequenas manifestações
da vida.

Que eu saiba reproduzir na alma a imagem
que entra pelos meus olhos
fazendo-me parte suprema da natureza,
criando-me
e recriando-me a cada instante.
Que eu possa chorar menos de tristeza
e mais de contentamentos.
Que meu choro não seja em vão,
que em vão não sejam
minhas dúvidas.
Que eu saiba perder meus caminhos,
mas saiba recuperar meus destinos
com dignidade.
Que eu não tenha medo de nada,
principalmente de mim mesmo:
- Que eu não tenha medo de meus medos!

Que eu adormeça
toda vez que for derramar lágrimas inúteis,
e desperte com o coração cheio de esperanças.

Que eu faça de mim um homem sereno
dentro de minha própria turbulência,
sábio dentro de meus limites
pequenos e inexatos,
humilde diante de minhas grandezas
tolas e ingênuas
(que eu me mostre o quanto são pequenas
minhas grandezas
e o quanto é valiosa a minha pequenez).

Que eu me permita ser mãe,
ser pai,
e, se for preciso,
ser órfão.

Permita-me eu ensinar o pouco que sei
e aprender o muito que não sei,
traduzir o que os mestres ensinaram
e compreender a alegria
com que os simples traduzem suas experiências;
respeitar incondicionalmente
o ser;
o ser por si só,
por mais nada que possa ter além de sua essência,
auxiliar a solidão de quem chegou,
render-me ao motivo de quem partiu
e aceitar a saudade de quem ficou.
Que eu possa amare ser amado.
Que eu possa amar mesmo sem ser amado,
fazer gentilezas quando recebo carinhos;
fazer carinhos mesmo quando não recebo
gentilezas.

Que
eu jamais fique só,
mesmo quando
eu me queira só.

Amém.
(Oswaldo Antônio Begiato)

P.S.: Eu li esta oração no blog do Poeta Begiato, e ele gentilmente me enviou. Obrigada Poeta por esta maravilhosa oração.....que ela sempre seja seu caminho.