segunda-feira, 21 de abril de 2008

Alphonsus de Gumaraens


CISNES BRANCOS
Ó cisnes brancos, cisnes brancos,
Por que viestes, se era tão tarde?
O sol não beija mais os flancos
Da montanha onde morre a tarde.
Ó cisnes brancos, dolorida
Minh'alma sente dores novas.
Cheguei à terra prometida:
É um deserto cheio de covas.
Voai para outras risonhas plagas,
Cisnes brancos! Sede felizes...
Deixai-me só com as minhas chagas,
E só com as minhas cicatrizes.
Venham as aves agoireiras,
De risada que esfria os ossos...
Minh'alma, cheia de caveiras,
Está branca de padre-nossos.
Queimando a carne como brasas,
Venham as tentações daninhas,
Que eu lhes porei, bem sob as asas,
A alma cheia de ladainhas.
Ó cisnes brancos, cisnes brancos,
Doce afago de alva plumagem!
Minh'alma morre aos solavancos
Nesta medonha carruagem...
(Alphonsus de Guimaraens )

2 comentários:

universo em poesias disse...

Gra, seu blogger é de um bom gosto a toda prova.
Obrigada por permitir minha presença em meio a tantos poemas belos.

Parabéns!
Beijos.

Marta Peres

universo em poesias disse...

Gra, seu blogger é de um bom gosto a toda prova.
Obrigada por permitir minha presença em meio a tantos poemas belos.

Parabéns!
Beijos.

Marta Peres