segunda-feira, 24 de março de 2008
Valquíria Cordeiro
Ontem mesmo ensinamos elas a se equilibrar,
segurando nossas mãos,
hoje diz as primeiras palavras,
amanhã estarão prestando vestibular,
de repente percebemos que nem as vimos crescer!
Um dia olhamos no espelho e percebemos que estamos
envelhecendo,
e nossas crianças já são adultas....
(Valquíria Cordeiro)
(Valquíria Cordeiro)
Princesa Desalento
Minh'alma é a Princesa Desalento,
Como um Poeta lhe chamou, um dia.
É magoada, e pálida, e sombria,
Como soluços trágicos do vento!
É fágil como o sonho dum momento;
Soturna como preces de agonia,
Vive do riso duma boca fria:
Minh'alma é a Princesa Desalento...
Altas horas da noite ela vagueia...
E ao luar suavíssimo, que anseia,
Põe-se a falar de tanta coisa morta!
O luar ouve minh'alma, ajoelhado,
E vai traçar, fantástico e gelado,
A sombra duma cruz à tua porta...
Contrariedades
Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.
Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.
Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.
Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve conta à botica!
Mal ganha para sopas...
O obstáculo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, há dias,
Um folhetim de versos.
Que mau humor! Rasguei uma epopeia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais uma redacção, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.
A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A Imprensa
Vale um desdém solene.
Com raras excepções, merece-me o epigrama.
Deu meia-noite; e a paz pela calçada abaixo,
Um sol-e-dó. Chovisca. O populacho
Diverte-se na lama.
Eu nunca dediquei poemas às fortunas,
Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas.
Independente! Só por isso os jornalistas
Me negam as colunas.
Receiam que o assinante ingénuo os abandone,
Se forem publicar tais coisas, tais autores.
Arte? Não lhes convém, visto que os seus leitores
Deliram por Zaccone.
Um prosador qualquer desfruta fama honrosa,
Obtém dinheiro, arranja a sua "coterie";
E a mim, não há questão que mais me contrarie
Do que escrever em prosa.
A adulação repugna aos sentimento finos;
Eu raramente falo aos nossos literatos,
E apuro-me em lançar originais e exactos,
Os meus alexandrinos...
E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso!
Ignora que a asfixia a combustão das brasas,
Não foge do estendal que lhe humedece as casas,
E fina-se ao desprezo!
Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova.
Esvai-se; e todavia, à tarde, fracamente,
Oiço-a cantarolar uma canção plangente
Duma opereta nova!
Perfeitamente. Vou findar sem azedume.
Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas,
Conseguirei reler essas antigas rimas,
Impressas em volume?
Nas letras eu conheço um campo de manobras;
Emprega-se a "réclame", a intriga, o anúncio, a "blague",
E esta poesia pede um editor que pague
Todas as minhas obras...
E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha?
A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia?
Vejo-lhe a luz no quarto. Inda trabalha. É feia...
Que mundo! Coitadinha!
(Cesário Verde )
O Ciúme
Entre as tartáreas forjas, sempre acesas,
Jaz aos pés do tremendo, estígio nume,
O carrancudo, o rábido Ciúme,
Ensanguentadas as corruptas presas.
Traçando o plano de cruéis empresas,
Fervendo em ondas de sulfúreo lume,
Vibra das fauces o letal cardume
De hórridos males, de hórridas tristezas.
Pelas terríveis Fúrias instigado,
Lá sai do Inferno, e para mim se avança
O negro monstro, de áspides toucado.
Olhos em brasa de revés me lança;
Oh dor! Oh raiva! Oh morte!... Ei-lo a meu lado
Ferrando as garras na vipérea trança.
Esperança Amorosa
Grato silêncio, trémulo arvoredo,
Sombra propícia aos crimes e aos amores,
Hoje serei feliz! --- Longe, temores,
Longe, fantasmas, ilusões do medo.
Sabei, amigos Zéfiros, que cedo
Entre os braços de Nise, entre estas flores,
Furtivas glórias, tácitos favores,
Hei-de enfim possuir: porém segredo!
Nas asas frouxos ais, brandos queixumes
Não leveis, não façais isto patente,
Quem nem quero que o saiba o pai dos numes:
Cale-se o caso a Jove omnipotente,
Porque, se ele o souber, terá ciúmes,
Vibrará contra mim seu raio ardente.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Amor é fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer
É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É nunca contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder
É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
(Luís de Camões )
Leninha Solzinho
Pétala de rosa
P enso em ti
É este meu segredo...
T udo me lembra...
A qui vives...
L ágrimas a rolar...
A h.. dói-me a alma...
D entro de mim...
E stas...sempre...
R osto...riso...cor...som...
O lhar intenso ...amoroso...
S uave...constante...aconchegante..
A lma...amor...sonho...
(Leninha )
Ana Cristina Castanheira
Há alguma coisa aqui que me dá medo.
Quando eu descobrir o que me assusta,
saberei também o que amo aqui.
O medo sempre me guiou para o que eu quero.
E porque eu quero, temo.
Muitas vezes foi o medo
que me pegou pela mão e me levou.
O medo leva-me ao perigo.
E tudo o que eu amo é arriscado.
(Clarice Lispector)
BERNADETTE MOSCARELI
Da Felicidade
Quantas vezes a gente, em busca de aventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura,
Tendo-os na ponta do nariz!
(Mario Quintana)
A. Estebanez
INTIMIDADE
Não foi, amada!
Não foi o orvalho
da madrugada...
Foi a lua na janela
que te surpreendeu
dormindo e chorou
desconsolada...
(A. Estebanez )
POETA MINEIRO
CONSCIÊNCIA...
Sou difícil de entender,
Sou feito de pedaços,
Sou homem sou poeta,
As vezes sou palhaço.
Minha vida é de sonhos,
Fantasia e ilusão,
Quando penso em você,
Meu mundo é a solidão.
Os seus olhos meu espelho,
Sua boca sedação,
Você é por inteira,
Mulher!!! Minha paixão.
Divago em pensamento,
Com sonhos e fantasia,
Nesse idílio muito louco,
É o meu mundo de magia.
(Autor: Poeta Mineiro...23/03/08 às 13h12min...)
FADA
DO AMOR DE QUE SE QUER MORRER
Amor, amor,
inventor da vida e de todos os tormentos,
permita-me o sereno tombar,
que já não posso mais, qual flor insípida,
lançar-me ao vento dos alheios desejos.
Se não a liberdade, dá-me a surpresa,
o que ainda não posso.
Dá-me a rota da sina de morrer,
se o que queres de mim,
oh! irônico deus,
é esse hei de ser, para sempre imperfeito,
que mesmo o erro há de ter sentido.
Amor, gélido casulo, que me recusa as asas,
solta-me de ti,
anoitece-te,
mata-me.
(Saramar)
ZILDA
'' ... Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida ... ''
(Pablo Neruda)
Poema destinado a haver Domingo...
Bastam-me as cinco pontas de uma estrela
E a cor dum navio em movimento
E como ave, ficar parada a vê-la
E como flor, qualquer odor no vento.
Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.
Só há espigas a crescer comigo
Numa seara para passear a pé
Esta distância achada pelo trigo
Que me dá só o pão daquilo que é.
Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o tecto da casa que me cobre
Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz Abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o amor por fim tenha recreio.
(Natália Correia-Passaporte -1958)
TROVAS DE MAR
O mar me acalma e acalenta
no seu terno balançar
sussurrando bem baixinho:
Não precisa mais chorar...
O barco vai pelo mar
deslizando tão quietinho.
Vai silente a murmurar:
amo tanto e vou sozinho...
Do meu coração partido
fiz canoa p’ra navegar
p’ra sumir por estes mares
e um novo amor encontrar
O mar balança sereno
no seu terno marulhar.
O meu barco tão pequeno
vai tão triste a soluçar
O mar sereno me envolve
pra levar-me a navegar.
Vou com ele pra bem longe
não pretendo mais voltar.
(Claudia Sleman)
Ana Cristina Castanheira
De todas as flores que colhemos nos campos,
a Amizade é o único sentimento que os ventos podem soprar,
mas, suas pétalas jamais cairão
(Bia Cogan)
Valquíria Cordeiro
Fuga
Ausentei-me do mundo,
Num silêncio profundo,
Com minhas dores e magoas,
Silenciei assim minhas palavras.
Em um mundo preto e branco,
Só ouviu-se meu pranto,
Numa busca sem fim...
Buscava por mim mesma,
Tentando arrancar você de mim...
Tentando exclui-lo dos meus pensamentos,
Numa tentativa sem sucesso...
Pensei em você em todos os momentos.
Confesso!
((Valquíria Cordeiro))
A. Estebanez
POEMIA
(Poema dedicado è poetisa Marta Peres)
Observo quando e como escreves versos
percorrendo as veredas dos teus sonhos...
Contemplo aos teus segredos submersos
a alma envolta em tempos mais risonhos.
Tu reencontras teus sonhos já dispersos
no ofício de encontrar os que tristonhos
perderam-se no tempo entre os reversos
dos anos e os encantos de entressonhos.
Chão de estrelas, teu céu de devaneios!
Tu caminhas, poeta, aos fins dos meios
entre as safras de amor e não de penas...
Em versos te devolvo a oferta e os dias
e flores que me deste o amor e a poesia
dos versos que compõem meus poemas...
(A. Estebanez )
ANNA
POEMA DE AMOR
Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu, quero te servir a poesia
numa concha azul do mar ou
numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer, não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas deste
pequeno poema, o verso;
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo!!!
(Cora Coralina)
Ser poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
(Florbela Espanca)
AO ENCONTRO
AO ENCONTRO DO FILHO
Chico Xavier
“Na certeza de que os Amigos Espirituais nos observam, creio que a palavra de nosso caro Emmanuel foi suscitada por um acontecimento que nem todos em nossa reunião pública perceberam.
Dentre os visitantes estava um casal de amigos que viera não só ao contato de nossos trabalhos, mas igualmente ao encontro de um filho que chegou de cidade próxima a fim de revê-los. Tratava-se de um rapaz detido na prisão de comunidade vizinha que, com permissão generosa das autoridades, vinha escoltado por dois guardas para ver os genitores, especialmente a mãezinha, portadora de moléstia grave.
Num banco ao nosso redor, vi quando a senhor abraçou o jovem e exclamou: “Ah, meu filho, meu filho!” Notando que as lágrimas dos pais e do filho se confundiam, não consegui também conter as minhas. Lembrei-me da bondade de meus pais para comigo e pensei que eu poderia estar na posição daquele filho sequioso de perdão e de afeto e confesso que chorei. Penso, porém, que alguma coisa de muito grave estará nos registros do que haja acontecido, porque pequeno grupo de pessoas não gostou da nossa simpatia pelo moço.
Observando isso procurei conter-me para que os pais sofredores não tivessem conhecimento da reduzida movimentação de censura que se fizera. E o fato passou sem maiores comentários. No início de nossas tarefas O Evangelho Segundo o Espiritismo nos ofereceu para estudo o item 14 do capítulo X. E ao fim da reunião nosso caro Emmanuel escreveu, por nosso intermédio, a página que lhe envio.”
PROVA E JULGAMENTO
Emmanuel
Decerto que o Senhor nos terá advertido contra os riscos do julgamento, observando-nos a inclinação espontânea para projetar-nos em assuntos alheios.
*
Habitualmente, perante os nossos irmãos em experiências difíceis, estamos induzidos a imaginar neles o que sentimentos e pensamos acerca de nós próprios.
Encontramos determinada criatura acusada desse ou daquele delito; para logo, freqüentemente, passamos a mentalizar como teria sido a falta praticada, fantasiando minudências infelizes a fim de agravá-la, quando muitas vezes a pessoa indicada tudo promoveu de modo a poupar a suposta vítima, resistindo-lhe às provocações até as últimas conseqüências.
Surpreendemos irmãos considerados em desvalia moral; e de imediato, ao registrar-lhes o abatimento, ideamos quadros reprováveis de conduta sobre as telas de inquietude em que terão entrado, emprestando-lhes ao comportamento o comportamento talvez menos digno que teríamos adotado na problemática de ordem espiritual em que se acharam envoltos, quando, na maioria das ocasiões, são almas violadas por circunstâncias cruéis, à feição de aves desprevenidas, sob o laço do caçador.
*
Abstenhamo-nos de julgar os irmãos supostamente caídos.
O Senhor suscitou a formação de juízes na organização social do mundo para que esses magistrados estudem os processos em que nos tornemos possíveis de corrigenda ou segregação, conforme o grau de periculosidade que venhamos a apresentar na convivência uns com os outros.
Por outro lado, os princípios de causa e efeito dispõem da sua própria penalogia ante a Divina Justiça.
Cada qual de nós traz em si e consigo os resultados das próprias ações.
Ninguém foge às leis que asseguram a harmonia do Universo.
*
Diante dos companheiros que consideres transviados, auxilia-os quanto possas. E onde não consigas estender braços de apoio, silencia e ora por eles.
Todos somos alunos na grande escola da vida.
Consideremos que toda escola afere o valor dos ensinos professados em tempo justo de exame.
Os irmãos apontados à apreciação dos júris públicos são companheiros em prova.
Hoje será o dia deles, entretanto, é possível que amanhã o nosso também venha a chegar.
DIA DE JUÍZO
Irmão Saulo
Todos erramos. Até mesmo os santos erraram. Por isso disse Jesus: “Não julgueis para não serdes julgados”. No comentário nr. 14 do capítulo X de O Evangelho Segundo o Espiritismo Simeão nos aconselha a esquecer o mal e pensar apenas no bem que pode ser feito. Por mais inúteis que nos julguemos e por piores que nos consideremos, há sempre diante de nós uma oportunidade de fazer o bem. Pensando no mal, perdemo-la; pensando no bem, podemos aproveitá-la.
No doloroso episódio que Chico Xavier nos relata, e que provocou a mensagem de Emmanuel, temos um exemplo vivo dessa realidade. Chico não perguntou de que crime o rapaz era acusado. Sofreu com ele e com os pais na prática da caridade. Alguns companheiros de reunião, entretanto, não pensaram assim, não sentiram esse impulso de solidariedade humana. E o simples fato de censurarem o médium produziu um constrangimento do bem.
O dia do juízo chega para todos nós. Para aquele rapaz já havia chegado e ele cumpria o veredicto da lei. Sabendo disso e compreendendo que Deus quer a salvação de todos, mesmo dos piores criminosos, nosso dever é o do bom samaritano que socorreu o próximo sem indagar de seus antecedentes. Lemos no Eclesiastes que Deus fez tempo para tudo e Emmanuel lembra-nos que existe o “tempo justo de exame”. Por outro lado, o que mais erra é o que mais necessita de perdão, o que menos amor revela em sua conduta é o que de mais amor necessita.
(De “Na Era do Espírito”, de Francisco Cândido Xavier e J. Herculano Pires – pseudônimo Irmão Saulo – Espíritos Diversos
Paz e Luz
Graciela
domingo, 23 de março de 2008
Valquíria Cordeiro
Vestido de noiva
No armário camuflado,
Vejo um vestido de noiva,
todo amarelado.
Hoje todo rejeitado,
amassado,
Deixado de lado.
Nem se parece com o mesmo,
Que vestiu madame Filó.
No dia do seu casamento,
Ela que era só contentamento
Usou o vestido perfeito
De um branco descomunal
E beleza sem igual
Era toda formosura...
Quando tudo terminou,
E seu lindo vestido guardou...
Não teve mais tempo para contempla-lo.
Cada ano um filho chegava,
Em apuros cada dia mais ficava,
Nem tinha tempo pra pensar...
Depois de anos,
Filó quis ver seu vestido,
E correndo foi experimenta-lo...
Foi aí que Filó percebeu
Que era impossível entrar
no mesmo vestido que foi seu...
No dia em que a mais linda se elegeu.
Toda nervosa ,
Filo ainda disse prosa;
“Esse vestido por certo encolheu”...
((Valquíria Cordeiro))
Helena Campos
Ás vezes deixamos de dizer
o quanto gostamos das pessoa
por achar que.....Elas já sabem!!!
Então para você não esquecer....
GUSTAVO DRUMMOND
DUALIDADE
Uma parte de mim jaz inerte,
Outra vai ao cinema, se diverte.
Uma vive estranha utopia,
Outra não se via,
Dois seres,
Uma mesma matéria:
Uma telúrica,
Outra aérea.
Uma brinca, se arrica, e cresce.
Outra branca, livída, esmaece.
Uma voa por impulso,
Outra corta o pulso.
Outono,
Monotonia,
Átomo,
Bigamia.
Uma se atira do precipício,
Outra é só o início..
Beijo com beijo,
Conflito com conflito.
ambas desejo de um grito.
Ambas em constante atrito.
Uma dedilha o alaúde,
Acordes reflexivos.
Outra deita no ataúde,
Dorme o sono dos injustos.
Encontram-se em festins e funerais,
Nos instintos animais.
Nas brumas, bacanais.
Bares, azares, lares.
Se beijam como Judas,
Uma parte é fulgaz,
Outra vem tarde,e se vai.
E se foi,
Não voltou
Nunca mais!
(Gustavo Drummond)
Paulino Vergetti Neto
A cigana me dirá
Zíngara, beijos eu te dei
e se tua boca eu beijei,
foi para deixar teu coração beijado
e as minhas mãos lidas.
Ó cigana bela e fugidia
em qual deserto moras
e qual sol te guia
que não acho fácil em teus passos
as estradas de tuas tendas?
Eis-me a dar-te o corpo como oferenda
de todo o meu amor sincero.
Olha-me e dize, sê minha agora
ou então deixa-me ir embora
sem tenda à vista
e para sempre.
(Paulino Vergetti Neto
Publicado no Recanto das Letras em 23/03/2008
Código do texto: T912813 )
CILMARA

VIVER A PÁSCOA
É ser capaz de mudar,
É partilhar a vida na esperança,
É lutar para vencer toda sorte de sofrimento
É dizer sim ao amor e à vida,
É investir na fraternidade,
É lutar por um mundo melhor
É ajudar mais gente a ser gente,
É viver em constante libertação,
É crer na vida que vence a morte.
"Desejo a você uma excelente PÁSCOA.
Que além de muitos ovos de chocolate,
VOCÊ possa também
RENASCER e RENOVAR.
BJCOAS
CILMARA......
MEL
*TUDO QUE É BOM CRIA RAIZES E NÃO EXISTE DISTÂNCIA
QUE PODE SEPARAR CORAÇÕES.....*
Que Deus lhe traga muita alegria,
paz, muito amor, e principalmente muita saúde..
Tenha um ótimo domingo!!
Mel
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