quarta-feira, 19 de março de 2008
Para Bernadete
A COR DA LÁGRIMA
Saudade...
Eu gostaria tanto...
O ÚLTIMO INSTANTE
O OLHAR DE YOLANDA
Entre eu e você
Existe um enorme abismo
Que precisa ser vencido
Com diálogos e confissões.
Quando estou só
Sinto falta do teu olhar,
Quando estamos juntos
Sinto falta de nos comunicar.
(Agamenon Troyan)

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você sesentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono dequem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar esofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
Eque se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.
(Victor Hugo)
Escada do Paraíso
-se a luz é tanta,
cintila,
a boca espera
(que pode uma boca
espera o ardor
e cantar.
Sossegue coração
Antônio Triste
Sozinho, como os bancos de uma praça
A Água
Eu sou aquele menino
SONETO XIII
SONETO I
Venho de longe, trago o pensamento
Cônjuge
Uma viagem pré-determinada
Com início, meio e fim estruturado
Que fecha as portas para a surpresa inesperada
Nunca busquei numa mulher um complemento
Pois para isto somos todos irmãos
Busquei nelas aquele indescritível contentamento
Que irradia fogos de prazer no coração
Nunca busquei um amor eterno
Porque ao morrer perderíamos a eternidade
Procurei aquele fogo de inverno
Que senti quando desvelastes tua beldade
Nunca busquei uma segurança
Porque o mundo é sempre mutante
Imaginei em ti a bem-aventurança
Que te faz transcender infinitamente a cada instante
Nunca busquei um corpinho bem definido
Porque a perfeição é a unilateralidade da criação
Apenas procurei um fervor que despertasse nos sentidos
Aquela essência, inexprimível até pela imaginação.
Nunca encontrei, mas sigo buscando
Aquele olhar que abre as portas da vida
Aquela voz que se exprime cantando
Aquela que de tão certa, sempre me deixa na dúvida.
CILMARA
FELIZ PÁSCOA
( Desconhecido )
AMAR BONITO
Artur da Távola
Palavras da Amiga:
Compartilho um belíssimo texto de
Artur da Távola, que recebi há pouco.
Abraço honesto,
Gilia
terça-feira, 18 de março de 2008
Canto Alegretense
SANTA JOSEFA
muito linda e muito religiosa,
que pertencia a um rico senhor,
em Cachoeira do Sul.
Este vivia perseguindo
a jovem negra em busca
de seus amores.
Pura como era,
Josefa resistia a tudo,
até mesmo diante
das ameaças de morte
que vinha recebendo.
Um dia, o patrão
enlouqueceu de desejo:
botou-se na moça
com toda a fúria,
mas Josefa fugia
e lutava em
defesa de sua honra.
Vai daí o patrão
começou a bater nela,
com socos e pontapés,
até que Josefa morreu.
O homem então,
simplesmente mandou abrir
uma cova e aí
enterrar a escrava virtuosa.
Loucos de medo,
os outros escravos
cumpriram a ordem.
Mas - coisa estranha! -
com o passar dos dias
começou a escorrer sangue
do túmulo rústico de Josefa.
A terra vertia sangue!
Os escravos, primeiro,
e outros, depois, deram
em acender velas em
memória da morta e diz-que
o próprio patrão, com o tempo
mandou erguer uma capelinha.
Hoje, bem no centro da bela
e imponente Cachoeira do Sul
ergue-se a capela da Santa Josefa
e atrás, no pátio dos fundos,
está seu túmulo.
Talvez não verta mais sangue,
reconhecida que foi
a sua pureza e religiosidade,
mas atende os pedidos
que lhes fazem milhares de crentes,
que vem até de longe.
Escrevem bilhetes para
a Santa Negra,
que deixam sobre o túmulo,
apertado por um vaso
ou uma pedra.
O túmulo, mesmo,
está sempre limpo e enfeitado.
Ao receberem a graça pedida,
os crentes colocam placas -
inúmeras!
no local, cheios de gratidão e fé.
MARIA CONGA
"O pai Curruira, filho do reino de Benin, acaba de morrer com noventa e três anos pelos cálculos de seus companheiros. Morreu, e a tristeza não se estereotipa nos rostos azevichados da cafraria; a angústia e o alarido de carpideiras não cercam o corpo do finado, como última homenagem a seus restos. Ao contrário, o urucongo e o bujamé despedem sons festivos. Cada matrona e cada rapariga se enastrou do melhor que pôde. Colares e manilhas de missangas de coral e vidrilho com caurins entremeados ou pendentes lhe cingem a garganta e os pulsos, fazendo ao reflexo variegado realçar o ébano da cútis. O candombe deslaçado em meneios lascivos, o canto de diapasão áspero e monótono formam o cortejo mortuário em roda do cadáver.
Presidia a festa, que simulava estranha macabra de vampiros ou bruxas, Maria a Conga, a quem a senzala venerava como rainha ou fetiche de um culto profundo.
- Mãe Maria, perguntou um crioulo vivo e esperto como um demônio traquinas como todo moleque -, por que o branco chora quando morre um dos seus e o negro ri?
- O negro, respondeu a respeitável veterana, passando a masca de fumo de um lado para o outro da bochecha - morre aqui para viver na África. Vai ver o berço em que nasceu debaixo das tamareiras e abóboras, vai correr as areias em que brincou em tempo de criança, vai ver a pátria.
O crioulo arregalou ao princípio os olhos, pensou por instantes e, em seguida, coçando a cabeça, a sacudiu em ar de dúvida.
- Quem morre então vive depois? - ajuntou.
- Não crês, menino? Vou contar o que aconteceu ao irmão de Inhabané.
- Mãe Maria vai contar uma história! Hih! Hih! Hih! Venham ouvir.
E de contente saltava como um cabrito. Logo um cardume de cabeças infantis e alegres, mostrando os dentes alvos como as presas do elefante, com as pupilas de gazela avivadas pela curiosidade, ferveu em torno da velha negra.
Músicas, cantos e danças sustaram.
Todos quiseram ouvir a palavra do oráculo de suas crenças, da pitonisa africana que guardava no coração as memórias da pátria distante. Mãe Maria tomou um cepo junto ao fogo. Os mais cruzaram as pernas no chão de argila pousando o cotovelo sobre elas e a face sobre a mão. É a atitude de quem quer ouvir atentamente.
Em pouco nem o mais leve ruído saía do círculo, de gente, cujo centro era a venerando Maria. Até a respiração parecia estar sufocada.
Ela começou pausada como a prudência, solene como um mistério:
- Muitos anos já vão, filhos, desde o tempo em que Inhabané, junto às águas de Cuanza, fazia guerra aos homens do outro lado do mar! Muitos! Quantas vezes já as árvores não despiram as folhas?
- Quem era Inhabané, Mãe Maria? Quem era Inhabané? - interrogaram em coro.
- Rei e senhor de Cassange... A velha que fala agora não era como vêem. Hoje está curvada ao peso dos anos, não caminha, nem pode trabalhar... Oh, naqueles tempos ! Bons tempos em que tinha por cama finas esteiras de Loanda, e vestia lindas roupas de pele e tinha os caurins do mar e pisava o tibar, ambição do branco. Então meu corpo era direito como a palmeira, ligeiro como o gamo dos montes de Kong... Ah! Bons tempos de Cassange que Maria há de tornar a ver!...
- Bons tempos de Cassange! Bons tempos! - repetia multidão com a fidelidade de um eco quando ela curvava fronte senil no seio das recordações e nas saudades do berço.
Depois de instantes de místico recolhimento, prosseguiu:
- Os homens do outro lado do mar venceram a Inhabané, o guerreiro, o valente, a esperança de Cassange. Ele foi preso, ligado e vendido para as terras dos Brasis.
- Mau branco! Mau branco! - rumorejavam os ouvintes com assomos de ódio.
- Inhabané teve um ruim senhor que amou a mulher do cativo e quis tomá-la. Era Kuniah, formosa entre as formosas. E Kuniah resistiu, porque tinha um coração que não era dela, era de Inhabané, seu senhor e seu rei e pai de seus filhos. Kuniah resistiu e teve o corpo cortado ao açoite e foi vendida longe dos filhos e do marido, alegria e sol de sua vida.
- Que dor, Mãe Maria! Que dor! - gemia a turma.
- Inhabané teve uma tempestade aqui - e a velha pôs a mão rugosa sobre o peito -, feriu o perseguidor de Kuniah. Pobre rei! Foi levado ao tronco como o último dos servos, o laço regoou suas carnes, o sangue do príncipe de Cassange ensopou a terra do cativeiro.
Ah! quizília de branco! - E a cafraria saltava de pé, trêmula e fula de cólera, o olhar ardente e sanguíneo, as crispadas pelo ódio e desejo de vingança, o gesto saturado de ameaças.
- Filhos, silêncio! - E desatou um ademane imperativo para que sentassem.
Tudo voltou à imobilidade das cariátides no sopé do antigo monumento.
- O rei de Camange sofreu muito. .. muito! Desonrado procurou um jerivá que recordava a pátria em suas palmas, subiu até o olho do coqueiro, atou um cipó e enforcou-se.
- Pobre Inhabané! - murmuraram em tom pungente.
- Feliz! feliz! repeti, filhos. . . - E atirava longe de si a masca com um movimento de inspirada.
Todos a fitaram pasmados, Ela continuou.
- Ninguém viu dependurado o príncipe, sem chorá-lo. Quando foram no outro dia buscar o corpo para enterrar tinha desaparecido.
- Tinha desaparecido!? - perguntaram boquiabertos.
- É verdade, Inhabané tinha dormido nas terras do cativeiro para acordar nas terras da pátria.
- Quem viu? - interrogou o crioulo que der, motivo narração.
- Maria viu, menino. Era de madrugada. Maria inda era livre, ia banhar-se nas águas do Cuanza. Então Inhabané saíra dentre as palmas de uma tamareira, contemplava como num sonho o país que há tanto deixara e vinha de novo possuir. Desceu e começou uma guerra de morte contra os inimigos. Esperemos, filhos. O pai Curruira foi hoje, amanhã nós iremos. Quem diz é Mãe Maria.
- Amanhã iremos... nós iremos - repetiam profunda fé.
Por momentos trataram do caso, sem comentários, e em seguida foram renovar com mais entusiasmo as festas em tomo do finado.
Eis o que a escrava narrara ao pequeno José Avençal, pouco mais ou menos.
Era uma cena a que havia pouco assistira nos galpões da senzala."
(Texto pesquisado e desenvolvido por
ROSANE VOLPATTO)
ALGARISMO
Belo Horizonte, 13 março 2008
NÚMEROS
RetratO
Dia escurecido se você não vem


















































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