sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
INVENTÁRIO
Meu ser doarei
Para transplante,
Minha alma,
Para algum meliante,
Meus órgãos, não!
A carne é fraca
E meu ego diletante.
De resto, doarei
Meu ócio
A algum anjo presente
Nos céus ou infernos
Varridos pelos videntes.
Meu bom (e mau) caráter
Que sirva como éter,
Assim como as lembranças
Do que sou, fiz e nunca fui
Fluam como lambanças.
Assim, nem queixas,
Nem querenças irão
Macular este vão
Legado que vos deixo.
(G. Vieira)
tem um pé de arvore
doonde todo dia bem sedo
se escuta o sabiá
junto aos outros passarinhos
sua música a entoar
Canta galo de campina
Bem-te-vi e juriti
Rolinha, fogo pagou
vinvim, canarinho e azulão
cantando as maravilhas
do nosso quente sertão
Mais quando a chuva vem
ele fica mais bonito
e parece o paraíso
com seu perfume suave
que é de se admirar
ti amo meu arvoredo
nunca vou te cortar
(Gilca Silva)
(Gilca Silva)
DIANTE DO ESPELHO
Nessa figura de dentro do espelho
Não existe qualquer coisa de mim.
As histórias narradas
Pelos olhos desencorajados
A indigência impressa
Na boca mal tocada
O vestígio projetado
Do caráter imperfeito
Nada disso reconheço.
Não aceito ser o que revela a vidraça:
Esse espírito, a aparência tão sem graça.
A figura me rechaça com igual desprezo.
(Paulo Figueiredo)
A figura me rechaça com igual desprezo.
AMANHÃ
AMANHÃ
Amanhã, ilusão doce e fagueira,
Linda rosa molhada pelo orvalho:
Amanhã, findarei o meu trabalho,
Amanhã, muito cedo, irei à feira.
Desta forma, na vida passageira,
Como aquele que vive do baralho,
Um espera a melhora no agasalho
E outro, a cura feliz de uma cegueira.
Com o belo amanhã que ilude a gente,
Cada qual anda alegre e sorridente,
Como quem vai atrás de um talismã.
Com o peito repleto de esperança,
Porém, nunca nós temos a lembrança
De que a morte também chega amanhã.
(Patativa do Assaré)
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
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