segunda-feira, 31 de março de 2008

MARTA PERES


A Casa – 5
Minhas dúvidas cresciam,
não conseguia descobrir os donos da casa em ruínas,
o peito angustiado sofria por não entender,
incomodava andar pelos cômodos da casa, em pensamento.
Meus olhos vislumbravam cenas dantes nunca vistas,
me via na menina loira sentada ao piano,
montando um belo cavalo negro, recebendo afagos
da mãe e da avó, chorando pelos cantos da casa.
Senti que lembranças estavam lá, guardadas
dentro daquelas ruínas como se quissessem saltar,
virem a tona a qualquer custo saindo de dentro
dos escombros, que se acumulavam no tempo.
Senti a frescura das águas do mar, dentro da noite
quando me banhava, a lua clara, quase branca
iluminava toda orla, a colina e a encosta que descia
para a casa, olhos me observavam, eu nem via.
(Marta Peres)

MARTA PERES


A Casa - 4
Meus amigos tomavam o sol da manhã,
alguns aproveitavam para o exercício
da natação, outros andavam pelas areias
não notaram minha ausência.
Meio sem graça voltei-me para a colina,
de onde estava não se via a casa, ela se
escondia abaixo da encosta,
protegida por um grupo de árvores.
Respirei aliviada tentando enturmar com os amigos,
o vento começou a soprar calmo, brisa leve, macia,
meu coração disparado só tinha um pensamento:
a velha casa, a caixinha sobre a lareira.
Ainda permaneci pela praia algum tempo,
meus olhos subiam pela colina, entravam na casa
e examinavam tudo que ficou gravado, uma resolução
deixou-me mais calma, iria descobrir os donos da casa.
(Marta Peres)

MARTA PERES


A Casa – 3
Resolvi sair, tomar um ar lá fora,
estava sufocada pela poeira
e o mofo penetrando nas narinas
deixava-me em agonia.
Saí às pressas, o ar fresco da manhã
e a brisa que vinha do mar me fizeram bem,
abracei a coluna que sustentava a varanda
sentindo novamente a certeza de ter vivido ali.
Já fizera exatamente igual, por aquelas colunas
subiam trepadeiras, floriam na primavera
perfumando toda frente da casa, a certidão onde
era o jardim, a existência de um caramanchão!
Ando lendo romances demais, pensei.
Jamais vi tudo isto a não ser agora, porém,
como vim parar aqui? Começaram as indagações.
Não conseguia entender, sentia-me aflita.
Sai em disparada colina abaixo, queria fugir dali
dos pensamentos estranhos que teimavam vir à tona,
cheguei esbaforida onde amigos me aguardavam,
nada disse, calei-me, tranquei-me em copas.
(Marta Peres)

MARTA PERES


A Casa – 2
Tudo por ali me intrigava,
eu passeava por aqueles lados
quando deparei com aquela casa abandonada,
senti vontade imensa de entrar, senti-me fascinada.
Nada me incomodava a não ser a idéia estapafúrdia
de que vivi ali noutro tempo, eu era centrada, consciente,
não vivi jamais por aquelas paragens, estava sonhando
era imaginação pura.
Sobre a lareira, por detrás dos porta retratos tem uma caixinha
pequena, dentro dela está um camafeu e é meu, ganhei de mamãe
pelo meu aniversário de dezesseis anos, ora, que idéia mais
sem sentido, estou vendo os porta retratos, é imaginação.
Como ando com a imaginação fértil, foi a casa!
Engraçado, sinto-me bem aqui, parece ter vivido nela
por muito tempo e que sou parte dela, ela me pertence
ou pertenceu a tempos remotos, estou ficando louca.
Sei que há uma caixinha minúscula e irei ver.
O pó acumulado, muitas teias de aranhas
e minha alergia não me deixa ver, minhas mãos
já estão ásperas, sujei-me no meio da poeira.
(Marta Peres)

MARTA PERES


A Casa - 1
Na paisagem do campo encontro casa em ruínas,
piso de ladrilho antigo decorado
no tom vermelho roxo, detalhes em preto.
Portas que rangem, janelas e forro infestados
de cupins, faziam festa pela ausência de donos.
Paredes mais parecendo dia amanhecendo,
pelo tom que lembrava o sol ardente.
Teias de aranhas tecidas sobre os móveis
subiam até o teto, misturavam-se ao pó
que me fez espirrar várias vezes, lençóis
que cobriam os móveis já eram marrom.
Dentro da gaveta de uma escrivaninha encontrei fotos
antigas, picadas por traças, cheiro de mofo impregnou
minhas narinas quando tomei nas mãos um diário.
Tudo estava intacto, porém o tempo corroia!
Imagens passaram pela minha mente, aquela casa
limpa, florida, crianças brincando perto da lareira,
um cão, na poltrona uma velhinha fazendo crochê,
senti emoção forte e a menina loira chamou-me a atenção.
Senti que entrava dentro daquela cena familiar,
me vi participando de um passado que não conhecia.
(Marta Peres)

CARLO MAGNO


EDIFÍCIO
Glória aos juntadores de cimento e areia
Que erguem moradas tão perto do céu
Daqui estendo minha mão para o infinito
Nesta cobertura que parece ao léu
Despertei esta manhã, como criança
Tranqüilo, bem disposto e agradecido
Me vi entregue a total beleza
Abri os olhos como manda a natureza
Lá embaixo, os volantes do asfalto
No ímpeto do ganha-pão
Disputam a chegada ao farol vermelho
Que olham, mas não vêem seus irmãos
Uma abundância deste céu celeste
Gozado é o estado de libertação, aparente
Solto esvoaçante no topo do concreto
Banhando meu espírito, sonso no soneto
(Carlo Magno)
P.S.: Palavras do Poeta em minha página do orkut:
Que os anjos abençõe e iluminem a você e esses poemas maravilhosos
que nos enchem de alegria.
Parabéns Graciela, pelos trabalhos poéticos.
Tenha excelente semana...

VALQUÍRIA CORDEIRO


Fidelidade
Meu amor!
Sou toda sua,
Por quantas vezes terei que repetir?
Tenho fases como a lua,
Mas só você me faz sorrir.
Meu amor!
De um jeito,
De duvidas não mais sentir,
Abraça-me junto do seu peito,
E não me deixes partir...
(Valquíria Cordeiro)

VAN


Quando você vai voltar?
Entristecida, ouço o tempo
o som do relógio, passando lentamente
ponteiros avançando devagar
contam os segundos, minutos, horas...
Os sentimentos em mim, gritam
minha angustia, não silencia!
O tempo brinca com os desencontros...
O relógio sorri da minha impaciência...
Conto o tempo, pela vontade
saudade, que sinto de nós...
Dos momentos que vivemos
dos que juntos ainda viveremos!
Ninguém é tão astuto
Sábio quanto o tempo, o relógio...
Ansiosa, tento desbrava-los, parar ...
Não consigo!
Ouço o tempo, o relógio
cada segundo sem você é muito tempo
é século, eternidade imensurável!
A ansiedade atordoa...
Quando você vai voltar?
(Van)

VALQUÍRIA CORDEIRO



Alternativa

Domina-me,
Ou eu te alucino,
Faço-te prisioneiro,
No meu labirinto,
E com todo cuidado,
Deixo-te apaixonado...

Domina-me,
Ou será minha presa,
Te sondo,
Te caço,
Te faço surpresa...
Te amarro em meus braços,
E te prendo pra sempre com o laço,
Do amor.

Domina-me,
Ou eu me entrego,
Ao seu charme...
Cheia de desejos me revelo,
Com toda a calma te beijo...
Meu corpo do seu aproximo,
E por fim...
Eu te domino.
(Valquíria Cordeiro)

GUSTAVO DRUMMOND


OPACO
O pacto,
Parto,
Ponto G,
Ponto final.
Pingo
Da chuva
De mel
Efóssil.
Corpo dócil.
Caco de vida,
Fragmento de vidro,
Suicida
Com comprimido
Generíco.
Opaco.
Braço
doMar.
Baco,
Baço,
Bagode milho.
Estribilho
antigo.
Contigo
Canto,
Cãndido
Cântico.
Louvo,
Turvo,
Ouço
tudo.
Que não
foi dito.
Rito,
Herético,
Hermético,
Vago
E Opaco!...
(Gustavo Drummond)

PAULINO VERGETTI NETO


Triste arlequim
E inda a falar de amor,
chora algum coração
feito arlequim ferido,
descolombinamente amado,
um pierrot chorado,
nalgum olho de baile de ilusão.
Meu palhaço e meu circo
é nisso em que acredito
a gargalhar e chorar
nos amores que amo.
E inda a falar de amor,
é que estendo as mãos
e não mais a chorar o coração,
amo sorrindo.
E triste arlequim eu sou
porque por amor
deixei-me ser além de amado...
(Paulino Vergetti Neto)
Publicado no Recanto das Letras
em 31/03/2008
Código do texto: T924412

A Estrada, Como Uma Senhora


ESTRADA, como uma senhora,
Só dá passagem legalmente.
Escrevo ao sabor quente da hora Baldadamente.
Não saber bem o que se diz
É um pouco sol e um pouco alma.
Ah, quem me dera ser feliz
Teria isto, mais a calma.
Bom campo, estrada com cadastro,
Legislação entre erva nata.
Vou atar a lama com um nastro
Só para ver quem ma desata.
(Fernando Pessoa)

GUSTAVO DRUMMOND



É muito silêncio
enquanto as flores não crescem
e os poetas dormem.
(Eolo Yberê)
P.S.: Palavras do Poeta na minha página do orkut:
Amiga:
Já estive antes e agora Blog.
Belissímo, de extremo bom gosto, e quanta poesia maravilhosa.
Amigos de versos, que sensíveis como você, nos contam com lirismo e sensabilidade,
nos falam de vida e sonhos.
Amei, e voltarei sempre.
Está nos meus favoritos já.
Uma bela tarde.
besos com carinho.
Gustavo

NENECA


Momento Mágico
Um beija-flor pousou
Na bela flor de jasmim
Como ele me encantou
Alegrando meu jardim.
Fiquei observando
Aquele pequenino ser
Sua energia liberando
Consegui me abastecer.
Com sua velocidade
Estacionando no ar
Beija com suavidade
As flores e volta a voar.
Aquele mágico momento
Ficou em minha visão
Fui toda agradecimento
À beleza da Criação.
(Neneca)
João Pessoa, 31/03/08

CILMARA


"A amizade é uma Magia muito Bela.
Só se instala no Coração
e na Vida das Pessoas
Belas de Coração".
Bjks com Muito Carinho.
CILMARA

VAN



Preciso de ti

Ao acordar, preciso de ti
sentir de seu corpo, o calor
ao seu abraço carinhoso
lânguida, aconchegar-me
a seus afagos, unir meus desejos

Preciso, de sua boca na minha
de seu perfume, cheiro marcante
impregnando os lençóis macios
amassados sobre a cama
depois de fazermos amor

Em meus ouvidos, preciso ouvir
sua voz mansa e envolvente
como as ondas calmas do mar
entrecortada por gemidos de prazer
dizendo que me ama

Preciso em seu olhar doce
apreciar o crepúsculo, no final do dia
a beleza, encantadora do luar
o brilho luzente das estrelas
iluminando o céu, na noite escura

Preciso de ti...
Em mim, aqui dentro!
Respirando o ar que eu respiro
neste lugar que é só seu...
Dentro do meu coração!
(Van)

JURIA



"..Ser livre é ter tempo para as coisas que se ama,
é abraçar, se entregar, sonhar, recomeçar..
É desenvolver a arte de pensar e proteger a emoção.
Mas, acima de tudo..
Ser livre é ter um caso de amor
com a própria vida.."
Beiju
Juria

MARYLIS


Amigos são mais que estradas...
São placas que indicam a direção !!!
E naqueles momentos em que mais precisamos...
Por vezes são o nosso próprio chão !!!
Obrigada pelo seu carinho....
Adoro você!!
Uma semana de paz!!!
Bjussssss da
Marylis

Balada do doce veneno


Destilando o seu veneno
O mais doce de todos
Perdi-me em um labirinto de ilusões.
Faço uma oração a cada terço de hora
Só para te encontrar.
Seja a minha estrela guia a luz da minha vida,
Pois ando totalmente perdida em meio à multidão.
Será que você não percebe
Que a vida continua, mesmo que lentamente?
É preciso que nos encontremos pelo menos mais uma vez.
Caminhar de mãos dadas e acreditar no futuro.
Mas continuo perdida.
Pois não consigo ler os seus pensamentos com a luz apagada.
Vivemos na escuridão do mundo.
É triste saber que daqui a alguns segundos seremos dois desconhecidos,
No encantamento do misterioso.
(Lucielle Azevedo)



Posso não concordar com nenhuma das palavras que dizeis,
mas defenderei até a morte teu direito de dizê-las.
François-Marie Arouet
(Voltaire)

CIDINHA



Não digas onde acaba o dia.
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a Terra,
Onde termina o céu
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde és Deus.
Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa,completamente silencioso,
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar.
(Cecília Meireles)

VALQUÍRIA CORDEIRO


Nada em tempo algum,
dará mais felicidade, a alma,
do que sentir a reciprocidade de sentimentos.
(Valquíria Cordeiro)

DESTINO ESPIRITUAL



A vida de cada pessoa é como um rio correndo para Deus.

No mundo encontrarás quem te fira com os calhaus da ingratidão.

Outros tentarão turvar as águas de teus pensamentos, lançando idéias poluentes.

Por vezes, as dificuldades te apertarão o leito da existência, fazendo surgir as ondas da insegurança.

De outras vezes, depararás com as pedras do desânimo, tentando barrar-te o curso.

Em todas as situações, porém, continua seguindo, animado, pela correnteza da confiança.

Tudo passará e nenhum obstáculo conseguirá impedir que deságües no oceano do amor total, onde encontrarás a razão do teu destino espiritual.

(De “Mensagem do Dia – de Sheilla para você”, de Clayton B. Levy)

Paz e Luz
Graciela



Um momento no tempo
Minha vida é essa trilha aprazível,
Que vive me levando ao incabível,
Mergulho corajoso que me encanta!
Às vezes, tão somente um samba enredo,
Em outras, melodias de folguedo.
Há os boleros e então minh'alma dança!
Há quem diga que é um livro aberto.
Mas prefiro pensar em um concerto,
Nem eu, li totalmente essa história...
E a capa ainda falta desenhar,
Por algum pintor que eu venha a amar,
E que me aceite assim, contraditória!
Com espelhos, eu nunca me dei bem,
Aos meus anseios, negam sempre o amém!
Mas nem por isso lhes devotei ódio...
Na fantasia de uma cinderela,
O meu príncipe espero na janela,
Onde ele sabe que será seu pódio.
É bem verdade que já está atrasado...
Mas pode ser o tempo adiantado,
E o que demora tende a ser melhor!
Todo poeta diz que o amor é lindo,
Então se o meu demora mas vem vindo,
Se Deus quiser, não há de ser o pior.
Santos, 24.03.2008
(Tere Penhabe)

Tadany


Dúvidas e Asserções

Porque estabelecer um ritual?
Se toda a fé é onipresente
Se toda água é um lustral
Se todo o Homem é uma chama ardente

Porque viver sob o manto de um dogma?
Se todo o conhecimento é infinito
Se todo o universo é um bioma
Se todo o renascer é um atributo do espírito

Porque separar-se em nome da religião?
Se todo o futuro é longínquo
Se todo o Homem nasce irmão
Se Deus sempre será ubíquo.
(Tadany – 08 04 05)

ZAIRA


ZAIRA


ZAIRA


SILVIA MERGULHÃO


SIL ANJO AZUL


SILVANA TAVARES


MAXUEL SCORPIANO


MAXUEL SCORPIANO


LUZIA


LETÍCIA STERN


JOSÉ NELSON


LETÍCIA STERN



MARTA PERES




ELIANA DAMÁZIO



CILMARA


CILMARA


CILMARA


Cantinho da Amiga Cor do Amor