sábado, 19 de janeiro de 2008

Pablo Neruda

O MEU AMOR

Não estejas longe de mim um só dia, porque como,
porque, não sei dizê-lo, é comprido o dia,
e te estarei esperando como nas estações
quando em alguma parte dormitaram os trens.
Não te vás por uma hora porque então

nessa hora se juntam as gotas do desvelo
e talvez toda a fumaça que anda buscando
casa venha matar ainda meu coração perdido
Ai que não se quebrante tua silhueta na areia,

ai que não voem tuas pálpebras na ausência:
não te vás por um minuto, bem-amada,
porque nesse minuto terás ido tão longe

que eu cruzarei toda a terra perguntando
se voltarás ou se me deixarás morrendo.
(Pablo Neruda)

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